segunda-feira, 5 de novembro de 2012

De uma brincadeira a um interrogatório


Em 30 de outubro de 2012, chegou uma informação muito séria ao Jornal Estadual que envolvia pais, alunos, professores, funcionários e direção. O único que não estava envolvido no caso era o coordenador pedagógico, pois se encontrava em uma reunião na Diretoria de Ensino. Quando ele chegou à escola, a confusão já estava formada. Esse fato ocorreu na cidade de Araraquara no interior de São Paulo a Rua Luís Sotrat, s/n.

O que ocorreu foi o seguinte:

Um aluno do ensino médio sofre de síndrome do pânico, começou a passar mal durante a aula de história.

O professor de História todo cauteloso, logo chamou um funcionário que passava pelo corredor e pediu para que encaminhasse o aluno à direção para que tomasse as medidas cabíveis. No momento em que o aluno está descendo a escada, desequilibrou e caiu saiu rolando escada abaixo.

O que seria um simples fato agravou-se.

A direção que sua vez, apenas deveria chamar os pais do aluno para buscar o filho na escola, teve que acionar o SAMU para socorrer o aluno. Imediatamente os pais desse aluno fora avisado, chegaram à escola acusando a todos de negligentes.

A partir daí começou um bate-boca, alunos que ouviram todo o barulho começaram a sair da sala de aula para verificar o que estava acontecendo. Virou um tumulto.

E foi justo nesse momento que o coordenador pedagógico chegou e avistou um cadáver embaixo da escada, piorou a situação. O que seria fácil de resolver complicou-se. Foi acionada a viatura da polícia, assim, foram tomados primeiros esclarecimentos das partes envolvidas sobre o ocorrido para registrar o boletim de ocorrência. Porém, não parou por aí. Todos os envolvidos tiveram que depor no tribunal.

E foram chamados pela ordem professor (P), funcionário (F), diretora (D) e aluno (A) e no final a peça chave do crime (E.M):

J: Mande entrar senhor José Aníbal de 42.

J: Promete falar a verdade somente a verdade?

P: Sim.

J: Começasse a falar tudo o que presenciou.

P: Eu estava na sala de aula, explicando a matéria e tirando as dúvidas de alguns alunos. Foi quando o aluno Romildo começou sentir-se mal. Logo chamei um funcionário que passava pelo corredor para conduzi-lo até a direção e que fossem tomadas as decisões cabíveis. Após o aluno ter saído da sala de aula, eu fechado a porta, e só ouviu os barulhos, porém não fui verificar e não permiti os demais alunos saírem da sala. Portanto senhor juiz é tudo o que sei.

J: Sem mais pergunta a fazer. Pode retirar-se.

J: Mande entrar o senhor Amadeu Carlindo dos Santos de 51 anos.

J: Promete falar a verdade somente a verdade?

F: Sim, senhor juiz.

J: Pediu começar o seu relato de forma coerente como ocorreu.

F: Senhor juiz, vou logo dizendo que não tenho culpa no caso, apenas estava conduzindo o aluno até a direção para que os seus pais fossem chamados para buscá-lo. Eu não empurrei o aluno da escada. Eu não empurrei o aluno da escada. Não estou tentando livrar-se das grades, mas é a verdade.

J: No final dou o veredito. Pode retirar-se.

J: Mande entrar a senhora Maria Joaquina de Assis de 60 anos

J: A senhora promete falar a verdade somente a verdade?

D: Sim, senhor juiz. Mas bem que dizem que a corda arrebenta do lado dos mais fracos.

Senhor juiz, tudo o que sei todos já falaram, mas prometo sim falar a verdade.

J: O que a senhora tem a dizer sobre o cadáver que foi encontrado embaixo da escada?

D: Senhor juiz não sei de nada, mas quem pode responder a essa pergunta é o coordenador, pois foi ele quem viu o cadáver primeiro. Sei que sou a diretora da escola, mas isso não passou pelo o meu conhecimento.

J: A senhora está dispensada.

J: Mande entrar o senhor Antônio José Inocente de 45 anos.

J: Promete falar a verdade somente a verdade?

C: Sim.

J: De acordo com o seu juramento comece relatar o que presenciou quando o senhor chegou à escola.

C: Está certo senhor juiz. É que quando cheguei à situação já estava pegando fogo é a única coisa que posso informar ao senhor. Além disso, e que fui eu quem chamou a polícia além de vir o cadáver primeiro. Mas se precisar de mim estou à disposição da justiça.

J: Como o senhor já se comprometeu em colaborar, nada mais a perguntar ao réu. Pode retirar-se.

J: Mande entrar o Jovem Romildo dos Santos de 17 anos.

J: Promete falar a verdade somente a verdade?

A: Sim.

J: Cuidado com o que vai falar jovenzinho. Tudo pode ser contra ou a seu favor. Comece a falar tudo o que aconteceu com você no dia da confusão na escola para que possamos chegar à conclusão dos fatos.

A: senhor juiz, eu tenho síndrome do pânico e desde o momento que acordei já não me sentia bem. Levantei fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, sai do banheiro, fui até a cozinha para tomar café, ouvi um barulho e abri a porta, mas não era nada, foi quando meu telefone tocou, ao atender percebi que estava atrasado para a aula. Ao chegar à escola não me sentia bem e a situação só foi piorando, até que o professor percebeu o meu estado e chamou um funcionário para me conduzir até a direção para que de lá fosse realizada uma ligação avisando aos meus pais que eu não estava bem e que viessem me buscar. Mas quando fui descendo os degraus avistei um corpo, me desequilibrei e cai. Mas posso dizer que tenho um pouco de culpa nisso.

J: Pode prosseguir com seu relato.

A: Então, num certo dia comentei um amigo que faz faculdade de medicina sobre a feira de ciência que haverá na escola e eu gostaria de algo sinistro para apresentar, por exemplo, uma múmia. Esse meu amigo falou que arrumaria, mas pensei que fosse de gesso e fiquei tranquilo. Mas nem passou pela minha cabeça que ele tivesse tanta coragem de cumprir o que prometeu. Só que ele foi além e pregou uma peça em todos nós escondendo embaixo da escada. Mas se o quiser lhe passo o endereço dele para que possa confirmar o que estou falando.

J: Isso é muito bom jovem você colaborar com a justiça. Passe-me o endereço rapaz que iremos imediatamente buscá-lo.

A: Bom, o nome dele é João José Pedro. Ele mora a Rua Jacinta Inácia, 13, Jardim dos Arrependidos. É aqui mesmo em Araraquara. Obrigado pela informação.

J: A sessão está suspensa por algumas horas para que os investigadores vão até a residência do estudante de medicina e assim, possamos prosseguir com o interrogatório.

Localizado o estudante, foi levado ao tribunal para que fosse interrogado conforme. Logo foi retomada a sessão.

J: Mande entrar o jovem João José Pedro de 24 anos.

J: O senhor promete falar a verdade, nada além da verdade?

E.M: Sim, prometo.

J: O senhor não acha que foi longe demais com sua brincadeira “mocinho”?

E.M: Senhor!

J: Ainda não lhe dei permissão para falar.

J: Por conta de irresponsabilidade, olha o tumulto que o seu formou. São se brinca com coisa séria. Você e seu amigo e os demais deveriam está em casa, mas por uma brincadeira, falta de maturidade e vindo de um futuro medico olha o que causou.

J: Senhor pegou esse cadáver? Responda-me agora.

E.M: Eu peguei escondido do laboratório da faculdade, mas eu ia devolver, mas os policiais levaram embora como prova de crime. Agora vou ter que pagar porque a faculdade descobriu que fui eu que peguei emprestado sem permissão.

J: O senhor não vai só pagar o valor monetário, mas também por todos os danos causados. O que tem a dizer sobre isso?

E.M: Eu sei que errei e peço perdão, mas não posso ir preso, tenho prova. Vou perder minhas aulas.

J: Que o senhor tivesse pensado antes de agir. Considere-se acusado. E como sentença receberá prisão no regime semiaberto por dois anos, mais pagamento de cesta básica a quatro orfanatos.

J: Mande entrar o jovem Romildo dos Santos para receber a sentença.

J: Pelo senhor ser mentor da ideia, receberá como sentença prestação de serviço voluntário nas escolas conscientizando os alunos sobre como ser bom aluno e fugir dos problemas, isso por seis meses. O que o senhor tem a dizer?

A: Sim senhor juiz eu mereci.

J: Dou por encerrado este julgamento.

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