O senhor A. B.C., brasileiro, casado, portador do
RG.nº 00000000-0 e CPF 000000000-00, testemunha do caso, residente e domiciliado a Rua dos AAA, nº 194, Quadra J - Bairro Conjunto
Habitacional São João, situado no
município de P. P. – SP, relata que na noite do dia 26 de Outubro de 2012, por
volta das 23h50min, quando chegava a sua
residência, deparou, na calçada junto a um portão de entrada com um homem não identificado, com barbas, mal
trajado e aparentando 45 anos de idade, caído. Ao descer do carro, percebi que
o mesmo já não tinha sinais de vida. Procurei por socorro, que imediatamente a vizinha da casa ao lado
compareceu. Liguei para o Resgate do Corpo de Bombeiro e para o Distrito
Policial da Cidade que prontamente
atenderam a ocorrência. Após a chegada das
viaturas da Policia Militar do Município, relatei os fatos ao Policial.
No dia seguinte de manhâ, dirigindo até
a Delegacia de Polícia Civil para prestar o depoimento dos fatos ao Delegado de
Policia, o Investigador e ao Escrivão
que estavam de plantão neste dia.
Segue
na integra do interrogatório e depoimento prestado pela testemunha.
Interrogatório Policial
D: Delegado T:
Testemunha
D: Bom dia!
T: Bom dia, senhor Delegado.
D: O seu documento, por favor?
T: O documento pode ser a CNH.
D: Sim
D: O seu nome completo?
T: Antonio Bol Cam
D: Qual é a sua idade?
T: 36 anos. Sou casado.
D: Qual é a sua profissão?
T: Construtor -
Pedreiro.
D: O seu endereço residencial.
T: Rua dos AAA, nº 194 - Quadra J – Bairro Conjunto
Habitacional São João – cidade de P.
P./SP
D: Mora a quanto tempo nesta cidade?
T: Faz 12 anos que
moro nesta cidade. Vim de uma cidade pacata do interior do Estado da Bahia em busca de melhores condições de vida
para a minha família.
D: Nesta noite o Senhor Antonio se encontrava sozinho?
T: Não, estava chegando a minha casa
em companhia dos meus familiares (esposa e dois filhos menores: de 05 e 07
anos).
D: Por que alguém deixaria um corpo
de um indivíiduo na calçada da sua casa?
T: Não sei, nem tenho idéia.
D: O senhor tem inimigos no trabalho,
vizinhança, parentes?
T: Relaciono muito bem com todas as
pessoas que conheço, colegas de trabalho, funcionários de minha empresa, prestadores
de serviço, carpinteiro, motorista de caminhão, familiares e vizinhos.
D: O senhor esperava por alguém?
T: Não. O motorista (funcionário de
minha empresa) que viria ontem à noite,
mas me ligou dizendo que não poderia vir mais, porque tinha chovido muito e
alagado o bairro onde mora.
D: O senhor pode relatar o que
aconteceu exatamente nesta noite do dia 26 de Outubro?
T: Como hoje é aniversário de meu
afilhado, fui convidado para um jantar
em companhia dos familiares e convidados. Saí da minha casa por volta das 18
horas, e retornando às 23 h 50 min
D: O que o senhor percebeu algo de
errado ao chegar em sua casa?
T: Chegando a minha casa, percebi na
calçada da entrada do portão principal, um
senhor de barba, mal trajado e não identificado
caído.
D: E o que senhor fez em seguida?
T:Desci do carro e muito apavorado,
gritei imediatamente pedindo por socorro. Aparecendo a vizinha da casa ao lado,
também para verificar.
D: Continue ...
T: Levei um susto. Olhei para a rua e
não vi ninguém nas imediações, tentei chamá-lo mas não respondeu, então me
abaixei e o toquei, percebi que não reagiu aos estímulos.
D: Neste momento o senhor percebeu
então que ele estava morto?
T: Não tinha nem idéia, pedi por
socorro gritando, mas ninguém apareceu, fiquei tão nervoso e a primeira coisa
que veio à mente foi ligar para o Resgate e a Polícia.
D: Além da polícia, o Senhor avisou mais alguém?
T: Não avisei ninguém, porque o
Resgate do Corpo de Bombeiros e o carro
da Polícia chegaram após o chamado e encaminharam para Instituto Médico Legal,
que ficou aguardando para a perícia e
após a liberação do corpo, no necrotério. No dia seguinte fui até a Delegacia
de Polícia Cívil do município para
prestar depoimento.
D: O Senhor reconheceu a vítima?
T: Não. Nunca vi esse homem.
D: No momento em que o Senhor percebeu a vítima, a mesma apresentava algum ferimento em seu
corpo?
T: Não percebi nenhum ferimento
específico aparentemente, só vi que estava mal vestido, barbas sem fazer e com
duas sacolas por perto que apresentava ser os pertences do individuo. Parecia
também que algo tinha acontecido a
alguns minutos antes da minha chegada ao local.
D: Tem mais algum fato importante que
o Senhor se lembra ou deseja destacar para ajudar nas investigações?
T: Ah! Não sei se é importante, mas
ele estava como se estivesse acabado de sair de um barzinho próximo ao local do
ocorrido, frequentado por pessoas que saem do trabalho de uma empresa
terceirizada e moradores do bairro e adjacências. Fora isso, não lembro mais de
nada, mas estou a disposição da polícia para esclarecimentos dos fatos e ajudar
naquilo que for preciso.
Conclusão
Após os esclarecimentos dos fatos, o
Senhor A. B. C., colocou-se à disposição da polícia no que for preciso para
elucidação do fato e até nesse instante, às 11h da manhã, não foi localizado
nenhum familiar da vítima e sequer houve registro de ocorrência do
desaparecimento de alguma pessoa do sexo masculino, com barbas e mal vestido,
conforme descrito pela testemunha no seu depoimento. Nada mais havendo a
tratar, neste momento, eu, Delegado de
Polícia, assino o presente documento.
Ines H. S. Ishizaka
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