sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Depoimento sobre Leitura e Escrita
Meus primeiros contatos com a leitura foram através dos encartes do Estadinho, que vinham semanalmente (eu acho) no jornal O Estado de São Paulo, isso lá pelo início da década de 70. Meu pai era açougueiro e comprava os montes de jornal de algumas pessoas que vinham da capital (São Paulo) para passar o final de semana em Artur Nogueira e de alguns outros moradores daqui. A cidade era muito pequena (na verdade assim permanece, mas naquela época ainda era chamada de "vila"). Ele enrolava a carne em um pedaço de plástico e depois na folha do jornal para entregar ao freguês. Os encartes eram pequenos e não serviam, mas ele separava e levava para mim. Mesmo não sabendo ler, imaginava as aventuras mostradas nos quadrinhos. Guardava todos e, depois que aprendi a ler, sabia as historinhas decor.
Minha mãe também colaborou, ensinando-se as primeiras letras de forma e algumas palavras mais simples como rato, sapo, mãe, pai, irmã, meu próprio nome. Não frequentei a pré-escola, pois morava no sítio, distante da vila, e não havia transporte.
Na escola, tive bons professores na 1ª e 2ª série (2º e 3º ano). Lembro-me de adorar fazer redações; enquanto meus colegas não sabiam o que escrever ao observar a sequência de figuras que a professora colocava, eu não sabia como terminar a história, de tantas ideias que inventava. Infelizmente, na 3ª e 4ª séries (4ª e 5º anos) o professor vinha "semi alcoolizado" ou "pós-porre" para lecionar, era muito bravo, batia nos alunos e não me recordo de fazer nenhuma redação. O diretor era "companheiro de copo" e os pais achavam que professor sempre tinha razão; de modo que ninguém reclamava, nem nós! Com medo de apanharmos também em casa.
No antigo ginásio (atual cicloII do ensino fundamental - 6º ao 9º ano), tive bons professores na maioria das matérias. Professores que ensinavam a própria disciplina e davam lições de vida; outros que só contavam da própria vida. Professores muito bem arrumados e outros desleixados. A maioria permaneceu com a turma durante os quatro anos. O professor de português, por exemplo, tinha por regra, a cada início de ano letivo, dar a mesma aula em todas as séries. O assunto era as regras de acentuação e as conjugações verbais. Apresentava-os na forma de um quadro-resumo, que os alunos deveriam ter na primeira página do caderno durante todo ano. Semanalmente tinha uma provinha mimiografada (nossa! Isso pareceu idade das cavernas agora!) era só metade de uma folha de sulfite, avaliando a matéria estudada, incluindo, obrigatoriamente, dois exercícios: um sobre acentuação e outro sobre conjugação verbal. Mas não teve redação, no máximo, duas anualmente. Nem no ensino médio foi diferente...
Não se lia também, não tinha biblioteca, e quando havia uma com parcos títulos, eram guardados a sete chaves para não se perderem, pois os alunos levavam, não liam e nem devolviam, segundo os professores. Na faculdade não havia tempo para ler. Minha mãe, na medida do possível dava dinheiro para eu comprar algum livro, mas eram poucos. Mas isso não limitou o meu gosto pela leitura. Atualmente leio um livro por bimestre, mais ou menos. Quando não compro, há a biblioteca da escola onde trabalho, com muitos volumes disponíveis. Entre os professores e funcionários também há um rodízio literário.
Segundo Fernando Pessoa, "Sempre vale a pena, quando a alma não é pequena" , não é mesmo?

2 comentários:

  1. Acho que sou do tempo das cavernas, pois ainda tem tenho um mimiografo.
    Como é bom relembrar nossas primeiras leiura e saber que muitos fizeram a diferença vida.

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  2. Lembro das primeiras leituras que fiz, sem se preocupar com as atribulações da vida.
    A leitura nos faz viajar, sonhar, ...

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