Depoimento sobre Leitura e Escrita
Meus
primeiros contatos com a leitura foram através dos encartes do Estadinho,
que vinham semanalmente (eu acho) no jornal O Estado de São Paulo, isso
lá pelo início da década de 70. Meu pai era açougueiro e comprava os montes de
jornal de algumas pessoas que vinham da capital (São Paulo) para passar o final
de semana em Artur Nogueira e de alguns outros moradores daqui. A cidade era
muito pequena (na verdade assim permanece, mas naquela época ainda era chamada
de "vila"). Ele enrolava a carne em um pedaço de plástico e depois na
folha do jornal para entregar ao freguês. Os encartes eram pequenos e não
serviam, mas ele separava e levava para mim. Mesmo não sabendo ler, imaginava
as aventuras mostradas nos quadrinhos. Guardava todos e, depois que aprendi a
ler, sabia as historinhas decor.
Minha
mãe também colaborou, ensinando-se as primeiras letras de forma e
algumas palavras mais simples como rato, sapo, mãe, pai, irmã, meu próprio
nome. Não frequentei a pré-escola, pois morava no sítio, distante da vila,
e não havia transporte.
Na
escola, tive bons professores na 1ª e 2ª série (2º e 3º ano). Lembro-me de
adorar fazer redações; enquanto meus colegas não sabiam o que escrever ao
observar a sequência de figuras que a professora colocava, eu não sabia como
terminar a história, de tantas ideias que inventava. Infelizmente, na 3ª e 4ª
séries (4ª e 5º anos) o professor vinha "semi alcoolizado" ou "pós-porre"
para lecionar, era muito bravo, batia nos alunos e não me recordo de fazer
nenhuma redação. O diretor era "companheiro de copo" e os pais
achavam que professor sempre tinha razão; de modo que ninguém reclamava, nem
nós! Com medo de apanharmos também em casa.
No
antigo ginásio (atual cicloII do ensino fundamental - 6º ao 9º ano), tive bons
professores na maioria das matérias. Professores que ensinavam a própria
disciplina e davam lições de vida; outros que só contavam da própria vida.
Professores muito bem arrumados e outros desleixados. A maioria permaneceu com
a turma durante os quatro anos. O professor de português, por exemplo, tinha
por regra, a cada início de ano letivo, dar a mesma aula em todas as séries. O
assunto era as regras de acentuação e as conjugações verbais. Apresentava-os na
forma de um quadro-resumo, que os alunos deveriam ter na primeira página do
caderno durante todo ano. Semanalmente tinha uma provinha mimiografada (nossa!
Isso pareceu idade das cavernas agora!) era só metade de uma folha de
sulfite, avaliando a matéria estudada, incluindo, obrigatoriamente, dois
exercícios: um sobre acentuação e outro sobre conjugação verbal. Mas não teve
redação, no máximo, duas anualmente. Nem no ensino médio foi diferente...
Não se
lia também, não tinha biblioteca, e quando havia uma com parcos títulos, eram
guardados a sete chaves para não se perderem, pois os alunos levavam, não liam
e nem devolviam, segundo os professores. Na faculdade não havia tempo para ler.
Minha mãe, na medida do possível dava dinheiro para eu comprar algum livro, mas
eram poucos. Mas isso não limitou o meu gosto pela leitura. Atualmente leio um
livro por bimestre, mais ou menos. Quando não compro, há a biblioteca da escola
onde trabalho, com muitos volumes disponíveis. Entre os professores e
funcionários também há um rodízio literário.
Segundo
Fernando Pessoa, "Sempre vale a pena, quando a alma não é pequena" ,
não é mesmo?
Acho que sou do tempo das cavernas, pois ainda tem tenho um mimiografo.
ResponderExcluirComo é bom relembrar nossas primeiras leiura e saber que muitos fizeram a diferença vida.
Lembro das primeiras leituras que fiz, sem se preocupar com as atribulações da vida.
ResponderExcluirA leitura nos faz viajar, sonhar, ...